Instabilidade econômica do país trava crescimento do setor automotivo; Expectativa é emplacar 40 mil unidades importadas até o fim de 2019.
A Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores – Abeifa – divulgou o desempenho do setor no primeiro semestre de 2019. No acumulado de janeiro à junho, foram emplacadas 16.219 unidades importadas, contra 17.948 veículos licenciados no mesmo período de 2018. Queda de 9,6%.
No último mês de junho, foram vendidos 2.679 carros importados. Desempenho negativo de 13,4%, se comparado com o mês de maio, quando foram licenciadas 3.094 unidades, e revés de 11,1%, espelhado com junho de 2018, mês em que foram 3.013 unidades importadas vendidas.
Kia Motors (4.649 unidades), Volvo (3.556), BMW (2.196), Land Rover (1.213) e Jac Motors (970) foram as marcas que mais venderam no acumulado de 2019.
De acordo com José Luis Gandini, presidente da Abeifa, o grande entrave para o crescimento do setor automotivo é a instabilidade econômica do país.
“O problema é a instabilidade do câmbio. Ainda sentimos o reflexo do dólar que chegou a 4,10 em determinado momento. Tem carros que estão chegando de navio com esse preço. Não dá para repassar isso”, explica o presidente da Abeifa.
A entidade espera uma retomada a curto-prazo, a começar pelas definições das pautas discutidas no cenário político.
“Enquanto não aprovar a previdência, o mercado fica instável. O mais importante hoje seria a aprovação da previdência e as reformas tributárias. Isso é mais importante até do que o Acordo com a União Européia. A economia está parada. Segundo semestre tem mais dias úteis, sou otimista, esperamos uma melhora”, afirma o presidente da Abeifa.
Gandini trata com cautela a aprovação do Acordo de Livre Comércio Mercosul-União Européia, embora reconheça a importância da queda de alíquotas para o setor de veículos importados. O acordo prevê que a alíquota de 35% seja reduzida para 17,5% para um montante anual de 50 mil carros, válido para todo o bloco sul-americano, por 7 anos. O Brasil poderá importar 32 mil carros ao ano com desconto. Depois, o imposto dos carros importados da União Europeia reduzirá gradualmente até ser eliminada.
“Não existe nada de concreto ainda. Isso ainda precisa ser regulamentado. É tudo novidade. É muito prematuro. Ainda é cedo para falar sobre o acordo com a União Europeia”, afirma Gandini.
Em relação a produção local, foram mantidas as projeções iniciais de 55 mil unidades para 2019. BMW, CAOA Chery, Land Rover e Suzuki licenciaram um total de 14.527 unidades nos primeiros seis meses de 2019, contra 10.078 no mesmo período de 2018. Crescimento de 44,1%.
Já a expectativa de vendas de veículos importados no ano, passou de 50 mil unidades para 40 mil carros em 2019, por conta da queda de 9,6% do acumulado no primeiro semestre.
Por: Wellington Hokama
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