Hyundai aposta no hidrogênio e vê no Brasil um aliado estratégico

Durante a 8ª edição da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI), realizada pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP), o vice-presidente e diretor de Operações da Hyundai para as Américas Central e do Sul, Marcos Oliveira, apresentou a visão integrada da companhia para consolidar o hidrogênio como o combustível do futuro. A palestra, realizada no dia 5/11, em São Paulo, mostrou que a montadora coreana já atua em toda a cadeia de valor do hidrogênio — da produção ao uso em veículos, trens e sistemas de geração elétrica — e vê no Brasil um parceiro estratégico para essa nova fase da transição energética.

“O hidrogênio é uma prioridade estratégica para a Hyundai. Apesar dos desafios, acreditamos que seu avanço é inevitável. Portanto, essa parceria com o RCGI é exatamente onde queremos estar: gerando conhecimento e fortalecendo parcerias para acelerar essa transformação”, afirmou Oliveira, ao citar os testes de desempenho realizados com o hidrogênio produzido na planta piloto do RCGI que utiliza etanol como matéria-prima.

A Hyundai mantém uma abordagem que cobre todas as etapas da cadeia de valor do hidrogênio e já comercializou mais de 40 mil veículos movidos a célula de combustível em todo o mundo, além de liderar projetos comerciais nos Estados Unidos e no Uruguai. Nos EUA, a empresa conduz um projeto de descarbonização de portos, que utiliza o ecossistema de hidrogênio da Hyundai para geração de energia, abastecimento e operação de caminhões e transportadores autônomos. Já no Uruguai, empresas do setor madeireiro utilizarão, a partir de 2026, caminhões movidos a hidrogênio desenvolvidos pela marca.

“O caminhão usado no projeto de descarbonização no Uruguai é muito parecido com o que está sendo testado nos portos dos Estados Unidos. No caso uruguaio, empresas do setor de madeira estão apostando no hidrogênio como alternativa limpa. No entanto, o hidrogênio é produzido por eletrólise da água, um processo que exige grande quantidade de energia elétrica, o que representa uma desvantagem. Para viabilizá-lo, é necessário gerar essa energia por meio de painéis solares, armazená-la e então realizar a eletrólise”, explicou Oliveira.

O executivo ressalta que cada método de produção de hidrogênio tem suas vantagens e desvantagens. “E é aí que o etanol se destaca: ele já está amplamente distribuído pelo Brasil, o que facilita a logística e reduz custos. Além disso, o hidrogênio é uma fonte versátil, com potencial para diversas aplicações”, afirma o executivo da Hyundai.

A Hyundai também possui três plantas industriais que produzem hidrogênio a partir de resíduos orgânicos, sendo duas na Coreia e uma em construção na Indonésia, além de centros de pesquisa e inovação na Coreia, Estados Unidos, Índia e Singapura, onde opera uma fábrica conceito vertical dedicada à eletrificação, onde também tem atividades ligadas ao hidrogênio. No Brasil, a empresa participou, no ano passado, de 35 projetos de inovação, apoiados por políticas públicas como o programa Mover, voltados à descarbonização e à mobilidade sustentável.

“A Hyundai quer ser líder global na transição energética, na mobilidade, no hidrogênio e também na geração de energia”, concluiu Oliveira, destacando o potencial do Brasil nesse cenário.

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