Contran libera bitrem no 6×2 e 4º eixo passa a ser permitido

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) alterou os limites de peso e dimensões para caminhões pesados. Como resultado, o bitrem e o 4º eixo no caminhão 6×2 vão poder circular em todo o Brasil. As mudanças estão descritas no Resolução 882, de 13 de dezembro de 2021. Porém, a regra só foi publicada na edição do dia 24 de dezembro, do Diário Oficial da União (DOU). Enfim, passará a valer na segunda-feira, 3 de janeiro de 2022.

Segundo a nova resolução, “Nas Combinações de Veículos de Carga (CVC) com peso bruto total combinado (PBTC) até 58,5 t, o cavalo-mecânico pode ser de tração simples 4×2 ou 6×2.” Ou seja, semirreboques com o 4º eixo combinados a caminhões trator 6×2 ficam liberados nas rodovias do País. Do mesmo modo, a nova regra vale para cavalos-mecânicos 6×2 que tracionam bitrens, cujo PBTC seja de até 57 t.

Contudo, é preciso ficar atento. Isso porque, apesar de a nova regra valer para cavalos-mecânicos 4×2, deve-se considerar a lei da balança. Ou seja, com um quarto eixo essa composição só pode tracionar até 51,5 t de PBTC.

Contran proibia composição desde 2011

Seja como for, desde 2011 as combinações com PBTC de 57 t com caminhões 6×2 estavam proibidas pelo Contran. Assim, a lei permitia essa capacidade para cavalos-mecânicos 6×4, os chamados traçados. Segundo especialistas, esse tipo de composição causava deformação no asfalto. O motivo é a que há apenas um eixo de tração.

Dessa forma, quando o motorista fazia trocas de marcha, os pneus acabavam patinando e, dessa forma, danificavam o pavimento. Sobretudo em vias com grande circulação desse tipo de caminhão. Porém, segundo os técnicos, no caso do caminhão 6×4 isso não ocorria porque havia dois eixos de tração. Portanto, o dano seria mínimo.

Contudo, o engenheiro e assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia, diz que os caminhões evoluíram muito. De acordo com ele, a adoção de sistemas como controle eletrônico de tração e freios mais eficientes minimizam o problema. Como resultado, além de serem mais seguros os modelos atuais afetam menos o pavimento.

“Costumo dizer que o asfalto tem de servir o veículo e não o contrário. O IPVA e pedágio são para consertar a estrada que foi estragada. Além disso, a sociedade não pode pagar mais pelo transporte. O custo vai ser reduzido com a nova regra”, diz Valdivia.

Seja como for, a regra em vigor desde 2011 gerava polêmica. Sobretudo, entre os empresários do setor de transporte de grãos. Ou seja, os que mais utilizam esse tipo de combinação. O motivo é que os caminhões 6×4 têm mais pneus. Portanto são mais pesados e consomem mais combustível.

Além disso, os caminhões 6×4 são mais caros. Portanto, para reduzir os custos da operação muitas empresas buscavam alternativas ao bitrem nos caminhões 6×4. Como resultado, surgiu o quarto eixo para substituir o bitrem no 6×2. Nesse interim, começaram os testes do sistema em operações reais de transporte.

A regra abre oportunidade para o 4º eixo

Assim, mesmo antes de essa solução ser regulamentada, havia empresas que conseguiram uma certificação prévia para rodar com o conjunto. Ou seja, usavam caminhões 6×2 atrelados a um implemento com o 4º eixo. Por exemplo, a G10 é um dos que desenvolveram e utilizavam veículos desse tipo.

Isso porque a combinação pode transportar 58,5 t de PBTC. Assim, há um bom ganho em relação ao bitrem, cujo PBTC é de 57 t. Além da capacidade de carga ser maior, o equipamento custa menos. Ou seja, enquanto o bitrem é composto por duas combinações, o quarto eixo tem apenas uma. Isso explica o preço menor.

Para chegar às novas regras, estudos e testes vinham sendo feitos por especialistas e equipes técnicas ligadas ao Contran há cerca de cinco anos. Entre eles está o Observatório Nacional de Segurança Viária.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), José Carlos Spricigo a norma 882 foi muito debatida. Inclusive com a comissão técnica da entidade. Portanto, recebeu aprovação também da Anfir. Do mesmo modo, o Contran promoveu consultas públicas sobre o tema. E recebeu dezenas de contribuições de especialistas.

Por: Estradão/Andrea Ramos