Distribuidores do Brasil lutam por diesel em meio a agitação da Petrobras

(Reuters) – As distribuidoras de combustível brasileiras estão lutando para garantir o fornecimento de diesel para março e abril depois que a estatal Petrobras disse que não atenderia totalmente sua demanda, aumentando a incerteza em meio a uma repentina mudança de gestão.

O regulador nacional da indústria de petróleo, ANP, confirmou à Reuters que os distribuidores estão buscando suprimentos alternativos de diesel depois que a Petrobras recusou seus pedidos, mas a agência minimizou as preocupações com a escassez de diesel durante uma abundante safra de soja.

A associação de importadores de combustível, Abicom, disse que os preços domésticos fixados pela estatal ficaram tão atrasados ​​em relação à recuperação nos mercados globais que a importação não é lucrativa.

O presidente-executivo da Petrobras, Roberto Castello Branco, tem resistido à importação de combustível para vender com prejuízo, como fez a estatal formalmente conhecida como Petróleo Brasileiro SA nas últimas décadas. Mas seus esforços para aumentar os preços na bomba este mês atraiu a ira do presidente Jair Bolsonaro, que nomeou seu substituto na sexta-feira.

A transição aumenta a incerteza para distribuidores e importadores que agora especulam sobre uma nova política de preços da Petrobras.

“Ou vai faltar produto ou a Petrobras terá que se envolver fortemente para abastecer o mercado e sofrer as perdas”, disse Thadeu Silva, chefe de óleo e gás da consultoria INTL FCStone.

A Petrobras se recusou a dizer se atenderia a demanda dos distribuidores por combustível nos próximos meses. A empresa informou que informou os clientes sobre o fornecimento de diesel para março, respeitando os volumes e prazos estipulados nos contratos.

Depois que a Petrobras perdeu dezenas de bilhões de dólares na última década vendendo combustível importado com prejuízo, seu estatuto foi alterado em 2017 para exigir que o governo a indenize por tais operações – uma regra que ainda não foi posta à prova.

“Hoje não vemos risco de desabastecimento (em março e abril)”, disse o diretor da ANP, Rodolfo Saboia, acrescentando que a agência estará monitorando a situação.