Executivos da Mercedes-Benz e MAN Latin America projetam crescimento para os próximos meses

 O mercado de veículos comerciais está como um caminhão que sobe a rampa e para no meio dela: a pausa, que já dura cinco anos, parece começar a perder a vez, fazendo o veículo sair do ponto morto para seguir em frente. Traduzindo, as líderes do segmento apostam em tendência de crescimento para os caminhões já a partir deste mês com ligeira melhora para este ano e para 2018. No entanto, a incógnita ainda é sobre a velocidade dessa retomada. A análise é de dois de seus representantes, Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz, e Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America.
“Agosto é o mês da virada. Não será um aumento expressivo, mas mantidas as condições atuais, o viés é de crescimento”, avalia Alouche.O executivo mostra em números a razão de seu otimismo: entre janeiro e julho deste ano, embora as vendas de caminhões tenham caído 15% com relação ao ano passado, o volume médio de emplacamentos vem aumentando mês a mês, começando em 154 unidades/dia útil em janeiro e chegando a 295 neste mês, o melhor nível do ano até agora.
“Acredito que em 2017 teremos uma pequena reação e o mesmo ocorrerá em 2018; após as eleições e em 2019 é que teremos um novo patamar de mercado. Estejam preparados para este novo momento.”

Leoncini admite que seu otimismo começou o ano em alta. Mas dadas as condições do mercado, ainda em queda, sua previsão é mais realista: “No início, imaginávamos um mercado 6% a 10% maior em 2017, mas agora essa previsão é de 4% a 6%”, revela. Contudo, ele elenca alguns fatores que vão alavancar o sustento da retomada das vendas neste ano, como leve crescimento do PIB previsto em 0,2% neste ano e 2% em 2018, a queda da taxa de juros, a estabilidade do câmbio e a inflação dentro da meta, mas especialmente o agronegócio, que impulsiona os segmentos pesado e extrapesado.

 “Matematicamente, o segmento de pesados será maior, provando mais uma vez que é o primeiro que se recupera”, indica Leoncini.

Seus números demonstram que este segmento, que foi entre os outros o que mais declinou ao longo dos últimos cinco anos, está aumentando significativamente sua participação no volume total de emplacamentos: para se ter ideia, entre 2001 e 2005, a fatia de pesados era de 25%, evoluindo para 32% em 2016.

“Em 2024 os pesados representarão cerca de 40% no mercado total por causa da logística, do aumento da área plantada, do jeito que ainda se transporta neste País e pela falta de outros modais”, afirma Leoncini. “Evidente que essa tendência permanece em 2018, porque a locomotiva do pesado é agronegócio, que também arrasta o semipesado; e mais que permanecer, acredito que cresce”, completa.

UM OLHO NO AGORA E OUTRO DO FUTURO

O representante da Mercedes-Benz revela que, por causa dessa tendência de alta, a empresa, que se mantém líder do mercado de caminhões, está fazendo todos os seus movimentos voltados para o cliente, mesmo foco da MAN Latin America, que segura a vice-liderança. Em sua apresentação, Alouche alerta que nos próximos dez anos haverá uma transformação muito grande nos caminhões e o cliente está evoluindo com os produtos.

Para ele, o mercado voltará, mas de uma forma diferente, com novas necessidades e as empresas devem estar preparadas para encarar essa nova fase. “O cliente já apresenta uma necessidade incremental, na redução do custo total da operação: é o que levará o cliente a escolher o produto”, indica Alouche.

Para Leoncini, o País tem potencial para voltar a crescer com medidas nas áreas de infraestrutura e em programas de renovação de frota, que não dependem diretamente da indústria. O executivo diz que, de olho nisso, a Mercedes-Benz tem feito sua parte com a modernização de produtos e serviços: “Parei de olhar 2011 e confiamos bastante neste crescimento e no peso que o segmento pesado terá diante do mercado total. Para se ter ideia, já temos mais de 5 mil caminhões conectados, dos quais 2 mil contam com diagnose”, conta.

Contudo, ainda há grandes desafios para enfrentar, aponta Alouche, como a briga por preços e outros indicadores que apontam diferentes tendências para o mercado, como o aumento do aluguel e do leasing operacional. “Ainda há uma cultura do ter a posse do bem, mas quando entenderem que existe valor nisso, assim como o leasing operacional, haverá um incremento significativo e uma tendência irreversível.”

 Fonte: AutomotiveBusiness/Sueli Reis

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