Crédito escasso penaliza pequenos e médios fabricantes de implementos

Em um segmento 100% nacional, empresas continuam com problemas de capital de giro e baixo nível de encomendas. A retomada firme dos negócios ainda é incógnita, segundo a Anfir

O crédito continua dificultando a retomada dos fabricantes de implementos rodoviários. Em uma indústria formada por empresas 100% nacionais, a falta de acesso a financiamento e capital de giro compromete, principalmente, pequenos e médios.

“As empresas praticamente exauriram recursos para se manter durante o longo período de crise do setor. Ninguém está confortável”, afirmou em entrevista ao DCI o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Alcides Braga.

A entidade mantém projeção de crescimento de 10% para este ano, apoiada na retomada tímida do mercado de caminhões. Contudo, o dirigente alerta para a base extremamente fraca de comparação. Segundo a Anfir, o resultado do segmento em 2016 foi o pior desde o início da série histórica em 2008.

“Os fabricantes estão em situação complicada. Muitos ainda não conseguiram atingir o equilíbrio financeiro”, destaca Braga.

Além disso, as margens continuam bastante apertadas no segmento. Segundo Braga, o patamar de preços do mercado brasileiro de implementos rodoviários retornou aos patamares de meados de 2012. “De lá para cá, não conseguimos recuperar as margens”, relata.

O dirigente explica que um dos fatores que contribuíram para essa situação é que os negócios têm se concentrado em poucos clientes, fazendo com que haja uma disputa mais intensa. “A guerra de preços continua ocorrendo no nosso setor”, complementa.

Enquanto isso, a ociosidade se mantém alta nas linhas de produção de implementos rodoviários. De acordo com a Anfir, a utilização da capacidade instalada atingiu baixa histórica de 30% no final do ano passado. “Hoje, o nível de produção melhorou um pouco, mas ainda está muito baixo”, observa. A ociosidade, conforme Braga, gira em torno de 60% atualmente.

Ele acrescenta que, desde 2014, a indústria de implementos demitiu cerca de 57% da sua força de trabalho. “Agora, devido às compras abruptas, algumas empresas estão até contratando. Mas estes empregos só devem se manter se o mercado apresentar uma retomada consistente.”

Historicamente, o segmento trabalha sem estoques e com uma carteira de pedidos de 90 dias. “Este é um nível considerado saudável para nós.” Porém, Braga salienta que em períodos de ociosidade, as empresas tendem a acumular estoques, como ocorreu nos últimos dois anos.

Retomada

Para o presidente da Anfir, a indústria de implementos rodoviários necessita do retorno da confiança para se recuperar. Isso porque, de acordo Braga, o cenário é tão incerto que se o cliente puder postergar a compra, certamente ele o fará.

“Enquanto houver incertezas no mercado, as vendas do nosso setor não vão decolar.” Ele aponta a volta do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro como o principal vetor de retomada de implementos rodoviários. “Precisamos de PIB para reverter o quadro atual.”

Segundo agentes do mercado, as vendas de caminhões estão intimamente ligadas à atividade econômica, mas a indústria de veículos pesados retornou aos patamares do final da década de 1990.

“Tínhamos uma expectativa de que neste ou no próximo mês iríamos zerar a queda do setor de implementos. Porém, isso não aconteceu, já que a retomada se concentrou em apenas algumas categorias”, explica Braga. Segundo ele, o que faltou para equalizar o resultado foi um melhor desempenho dos pequenos e médios clientes, que concentram o transporte de bens de consumo, principalmente.

Conforme o dirigente, a escassez de vendas expressivas se deve, em boa parte, ao aperto do crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – o Finame. Hoje, só 80% do implemento é financiado pela instituição, a depender do porte da empresa.

“A questão premente para nós é o BNDES voltar a financiar 100% do bem, como sempre aconteceu. O empresário não tem condições de dar uma entrada e ainda pagar as altas taxas do Finame”, pondera.

Fonte: DCI/Juliana Estigarríbia

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