Caminhões atinge 80% de ociosidade

Fonte:Valor Econômico-

Os fabricantes de caminhões tinham motivos para acreditar que o setor tinha chegado ao fundo do poço em 2016, pois passaram o ano trabalhando com ociosidade entre 70% e 75%. Mas o pior estava por vir. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) anunciou ontem que agora essa indústria opera com sobra de 80% de capacidade.

As montadoras chegaram a elevar o ritmo da produção em fevereiro em relação a janeiro. Mas levaram um susto com o resultado do mercado interno. O total de 2,6 mil veículos licenciados em fevereiro representou uma queda de 32,2% em relação ao mesmo mês de 2016. No acumulado do ano a retração foi de 32,8%.

Há um esforço para exportar mais. Mas formar uma rede de manutenção no exterior leva tempo. O presidente da Anfavea, Antonio Megale, voltou, ontem, a considerar a situação “dramática”. E mostrou ­se preocupado com a falta de investimento em infraestrutura.

“O país precisa começar a rodar”, afirmou, mostrando preocupação com a retração de 3,6% no PIB de 2016, anunciada ontem. Para o dirigente, sem investimento em infraestrutura dificilmente a indústria de caminhões conseguirá se recuperar. “De nada adianta contar com uma super safra se os caminhões ficam na estrada; isso é um desastre”, destacou.

Para o diretor de Assuntos Institucionais da Mercedes-Benz, Luiz Carlos Gomes de Moraes, a recuperação se dará “pelo investimento e não pelo consumo”.

Ao mesmo tempo, Megale, concorda com alguns economistas de que a partir do anúncio da retração de 3,6% no PIB de 2016 a velocidade da queda da taxa básica de juros tende a aumentar. Para o dirigente, se hoje a inflação baixa é um reflexo da recessão, a queda de juros pode estimular o consumo e reativar a economia. (Valor Econômico/Marli Olmos)

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