Quebra da safra elevou frete de fertilizantes

Quebra da safra elevou frete de fertilizantes
Quebra da safra elevou frete de fertilizantes

A quebra da safra de grãos 2015/16, que restringiu o valor bruto da produção no campo em 2016 e tem limitado as exportações brasileiras de soja e milho neste segundo semestre, deixou outro saldo negativo para o agronegócio: o aumento dos fretes para o transporte dos fertilizantes que estão sendo usados no plantio do ciclo 2016/17.

Com a redução do fluxo de caminhões nos portos para a entrega dos grãos, a volta dos nutrientes importados pelas misturadoras de adubos ficou pelo menos 50% mais cara nos últimos meses nas principais rotas do país, em relação ao mesmo período de 2015. O salto gerou pressão altista sobre os preços do insumo e está comprometendo a margem das misturadoras, que fabricam os produtos finais usados pelos produtores rurais.

Segundo Carlos Eduardo Florence, diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil (Ama), o frete representa entre 7% e 20% do valor total gasto pelas empresas do segmento com matéria-prima, a depender de onde está a unidade de mistura e do insumo adquirido.

No Paraná, a fatia não costuma passar de 8%, porque os nutrientes desembarcam em portos próximos, como Paranaguá (PR) ou Rio Grande (RS). Em Goiás e Mato Grosso, em condições normais, o percentual costuma ficar em cerca de 15%. Neste ano, contudo, superou a marca de 20%. “Esta é, claro, uma conta simplificada, porque os preços realmente pagos pelas empresas dependem de outros fatores, entre eles, o período em que o frete foi fechado, onde fica a fábrica e o valor de cada insumo. De qualquer forma, sabemos que o aumento está pesando na saúde financeira das empresas”.

Levantamento do grupo de pesquisa e extensão em logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (EsalqLog), mostra que na rota entre Porto de Paranaguá (PR) a Rio Verde (GO), onde há unidades de mistura da americana Mosaic e da brasileira Heringer, entre outras, o valor médio atingiu R$ 202,65 a tonelada do fertilizante transportado em outubro contra R$ 134 no mesmo mês de 2015 – alta de 51,2%. Em setembro, a diferença na comparação anual foi até maior: 58,6%.

Na comparação, o transporte de grãos de Sorriso (MT) ao porto de Santos (SP) caiu 23,4% em outubro, em consequência do menor movimento, para uma média R$ 243 a tonelada, segundo a EsalqLog. Em setembro, a retração foi de 18,3% (ver infográfico). “Sem receber grãos nos portos, os agentes que transportam fertilizantes estão tendo de pagar também a ida dos caminhões”, disse Samuel da Silva Neto, economista e pesquisador da EsalqLog.

Nos últimos anos, como as exportações brasileiras cresceram muito e o pico do escoamento é no segundo semestre, os meses de setembro e outubro não vinham sendo objeto de preocupação para o transporte de fertilizantes. “Neste ano, além de termos exportado grande volume no primeiro semestre, principalmente de soja, a safrinha de milho quebrou e o que restou foi praticamente usado pelo mercado interno”, disse Silva Neto. E o transporte de milho dentro do território nacional não gera pressão sobre os fretes dos adubos.

Dalton Carlos Heringer, presidente da Heringer, confirma que o valor do frete – um custo para o qual não há mecanismos de travamento antecipado dos valores – pressionou os negócios nos últimos meses, mas diz que parte do aumento foi repassada aos consumidores dos produtos. Ele também diz que a empresa fez mais negócios no modelo em que os produtores retiram os insumos na fábrica e arcam com o custo do transporte.

Outra iniciativa das misturadoras para a redução desses preços foi mudar a rota. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), pelo porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos fertilizantes no país, foram importadas 6.1 milhões toneladas em setembro – 3,4% menos que no mesmo período de 2015, enquanto a importação total cresceu 7,9%, para 17.3 milhões de toneladas.

A oferta de caminhões por Santos e Rio Grande (RS) está maior que por Paranaguá

“A oferta de caminhões por Santos ou Rio Grande (RS) está maior que por Paranaguá e, com mais competitividade, os preços ficam menores nesses locais”, disse Silva Neto, da Ama, confirmando os números da Anda. As entidades evitam mensurar, porém, qual o percentual da redução de custos com eventuais mudanças logísticas. Heringer afirma que o valor do transporte de fertilizantes deverá cair apenas em fevereiro, quando começam a colheita da safra 2016/17 e o envio de soja para exportação.

Fonte: Fernanda Pressinott/Valor Econômico

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